• 22 Fev 2021

Por que analistas veem um cenário positivo para a Bolsa e câmbio em 2021

Para corretoras, tendência é de ganhos do Ibovespa e desvalorização do dólar, mas risco fiscal continua no radar do mercado

Por: Metrópoles


Fonte: Metrópoles


O ano começou com o mercado apreensivo com o andamento da vacinação contra a Covid-19 no país, o aumento de casos da doença no mundo, indefinições sobre estímulos para recuperação da economia americana e a expectativa das eleições no Congresso. Em um mês de oscilações, a Bolsa de valores brasileira fechou janeiro aos 115.067,55 pontos, recuo mensal de 3,32%, enquanto o dólar acumulou um avanço de 5,46% e chegou a R$ 5,4705 na venda. 

Para especialistas consultados pelo Metrópoles, no entanto, o cenário é positivo em 2021 tanto para o Ibovespa como para o câmbio. Esse otimismo está relacionado a fatores externos como a expectativa de juros baixos e elevada liquidez no mundo. No mercado interno, a recuperação da economia, cujo ritmo será ditado pela vacinação no país, e as sinalizações do Banco Central de elevação da Selic ajudam alimentar as projeções mais animadoras. 


“Apesar dessa visão positiva, ainda há pontos de atenção e o investidor precisa ter isso em mente. No médio e longo prazo, a gente tem uma visão positiva, mas o caminho não é linear. A gente pode ver algumas oscilações nesse tempo”, pondera a estrategista-chefe da Rico Investimentos, Betina Roxo.

A trajetória fiscal do país segue como uma das principais preocupações no radar do mercado. Apesar da reação positiva com a eleição no Senado e na Câmara dos Deputados na segunda-feira (1º/2) de comandantes próximos ao Executivo, há dúvidas sobre o avanço na aprovação de reformas.

“Vamos ver agora a capacidade para passar alguma coisa. A gente precisa de medidas muito mais duras e muitas delas não são populares. São reformas que você diminui os gastos do governo e maioria delas tem bastante resistência. Com essa eleição, vamos ter mais chance de que as reformas sejam aprovadas”, diz o analista da Levante Investimentos Pedro Bresser.

“A gente precisa ver como vai ser essa questão de austeridade fiscal, como o governo vai lidar com o Congresso em relação ao teto de gastos. Por isso, ainda vai ter bastante incerteza no curtíssimo prazo, mas depois que mercado conseguir digerir qualquer direção que seja tomada, conseguiremos ter uma recuperação mais gradual da economia e isso vai acabar prevalecendo”, acrescenta o estrategista de renda variável da Ouro Preto Investimentos, Bruno Komura.


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Para a estrategista-chefe da Rico Investimentos, o ambiente continuará favorável principalmente com a potencial normalização da atividade com a vacinação no país. “A principal questão continua sendo a relação entre vacina e coronavirus, dependendo dessa equação a gente vai ter uma normalização mais rápida ou mais devagar”, avalia.


Bolsa ainda atrativa

Na avaliação dos especialistas da Rico e da Ouro Preto, mesmo com uma elevação da taxa da básica de juros, que deve fechar o ano em 3,5% na projeção de analistas, a Bolsa seguirá sendo atrativa para os investidores.

“Como a Bolsa caiu bastante, agora em 2021 tem bastante potencial para uma boa valorização principalmente com a retomada da economia, por mais que a questão da vacinação demore um pouco. Vamos conseguir ao longo do tempo essa imunização de rebanho, o que vai permitir o relaxamento das medidas de restrição e uma recuperação mais forte do setor de serviços, que é o principal componente do PIB”, projeta Komura.

Betina destaca ainda que os juros devem subir, mas não voltarão aos patamares de dois dígitos como no passado. “Com a inflação alta, quando a gente olha o juro real, isso acaba sendo muito menor. A Bolsa é ainda sim um atrativa. Temos ainda uma grande parte dos investimentos em renda fixa, muito deles em poupança. Então, há muito espaço para migração da renda fixa para a renda variável”, avalia.


Escolha de investimentos

Bresser vê perspectivas positivas tanto para a Bolsa brasileira como para as bolsas ao redor do mundo, em ambiente de juros baixos e elevada liquidez dando impulso a uma recuperação global. Para ele, entretanto, o investidor deve ficar muito atento aos setores a que vai estar exposto. “É um ano para você ser bem criterioso na escolha dos investimentos”, reforça.

O analista da Levante destaca empresas ligadas a commodities, que devem se beneficiar com o crescimento econômico da China. Outro setor citado por ele é o financeiro. “Os bancos estão muito descontados aqui no Brasil, estão negociando a um valor muito abaixo em relação ao valor justo deles. Mesmo em um cenário muito conservador de crescimento dos lucros para 2021, há múltiplos muito baixos quando a gente olha o histórico deles. São empresas que têm alto retorno e geram muito caixa.”

Além desses setores, a estrategista-chefe da Rico chama a atenção para atividades que perderam na pandemia, como o varejo físico, por exemplo. “São alguns setores que acabam se destacando mais na Bolsa, principalmente aqueles que que foram muito impactados pela pandemia com os lockdowns. Com a normalização da atividade, eles devem voltar a melhorar o resultado”, afirma.


Dólar mais fraco

Para os analistas, a tendência para este ano é de valorização do real ante dólar, após a moeda brasileira ter se decolado do movimento global de perda força da divisa americana. “A principal justificativa de o câmbio ter ficado descolado foi a questão fiscal. Se a pauta fiscal permancer bem comportada neste ano, todos os fatores estruturais apontam para um real mais valorizado”, afirma Betina.

A Rico projeta que o dólar feche 2021 a R$ 4,90, mas curto no prazo a moeda pode se sustentar em torno dos atuais R$ 4,30 e R$ 4,40. Segundo a estrategista-chefe da corretora, entre os fatores que contribuem para essa visão de real mais valorizado estão as commodities em alta, a expectativa de elevação dos juros, a redução dos riscos com a vacina e o início do ciclo de normalização da atividade.

Para Komura, a tendência é que o dólar se enfraqueça mesmo que o governo Biden não consiga implantar o pacote de US$ 1,9 trilhão para estimular a economia americana. Isso porque a expectativa é que mercado continue com alta liquidez por estímulos do Fed, o banco central dos EUA, e outros bancos centrais de países desenvolvidos.

“Isso é muito bom porque faz com que os investidores estrangeiros estejam mais propensos a risco para conseguir um retorno melhor. E essa direção ao risco faz com que os investimentos fluam das economias desenvolvidas para os mercados emergentes”, explica.

O estrategista da Ouro Preto reforça que a desvalorização do real nos últimos anos também é explicada pelo fato de a Selic ter chegado a mínimas históricas, o que deixa o país pouco atrativo para os investidores estrangeiros. “Para ganhar 2%, é melhor você ganhar um pouquinho menos, seja 1%, ou 0,5%, em moeda mais forte ou que tenha crédito melhor. Essa taxa de juros faz com que seja pouco atrativo investir aqui no Brasil. Você diminui o fluxo estrangeiro”, explica.

A expectativa neste ano, entretanto, é de elevação dos juros para conter pressões inflacionárias, lembra o estrategista. Em relação ao patamar, a projeção da Ouro Preto é que o dólar fique entre R$ 4,80 e R$ 5. “Poderia ser melhor, mas há vários problemas internos. As questões fiscais aqui colocam bastante incerteza. Por isso, acho que real não se valoriza tanto, com o dólar chegando a R$ 4,50, e 4,20.”

Já Bresser não vê muito espaço para ganho do real ante dólar neste ano devido a preocupações com a situação fiscal do país. Na avaliação do analista da Levante, é possível que a moeda americana vá R$ 5 ao final do ano, caso sejam aprovadas medidas fiscais vistas com bons olhos pelo mercado.

“Para a gente, não o vai mudar em relação ao patamar de R$ 5,35. Por um lado, você tem uma tendência de o dólar se depreciar no mundo e o real ganhar força por isso. Por outro, as preocupações fiscais vão persistir. São duas forças em direções opostas. Por isso, a gente vê uma manutenção, não vê ele se mexendo muito”, completa.


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Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/economia-br/por-que-analistas-veem-um-cenario-positivo-para-a-bolsa-e-cambio-em-2021